António Augusto dos Santos Abrantes
“... Na Coimbra de há cerca de trinta anos, aportou este beirão, indócil, confiante, de um lirismo destemperado, que logo trocou as voltas aos planos domésticos de cavar os alicerces de um destino burguês...” -
Extracto retirado de um artigo publicado à 8 de Dezembro de 1963, sobre António Augusto dos Santos Abrantes.
Nasceu no Paúl em 04 de Março de 1912 e faleceu em São Paulo – Brasil, em 07 de Maio de 1963.
Saiu cedo de sua aldeia para poder estudar, e foi parar a Coimbra, onde, por volta de 1938 fundou com o seu primo e conterrâneo José Marmelo e Silva, a livraria e editora Portugália, que viria a ser “chancela dos primeiros livros que demarcaram a cepa coimbrã da nova geração”, como escreveu um dos seus representantes, Fernando Namora.
Em 1945 partiu para Moçambique, e fixou-se em Lourenço Marques (Maputo), onde teve uma papelaria e livraria e trabalhou como jornalista.
Perseguído pelo azar e pelos esbirros de Salazar, viu-se obrigado nos meados da década de 50 a partir para o Brasil. Não sem antes ter passado algum tempo na Madeira. Foi viver para São Paulo depois, “morreu pobre, de mãos limpas, e de consciência tranquila” (disse o Diário de Lourenço Marques que noticiou a sua morte).
Foi sempre um defensor das causas da liberdade e da justiça – tanto em São Paulo como em Coimbra, onde contribui decisivamente para o triunfo do neo-realismo.

José Marmelo e Silva
Nasceu em 1911, na freguesia de Paul, concelho da Covilhã.
Frequentou o seminário do Fundão, donde “sai” com 17 anos, por incompatibilidades de Ser e de Pensar com o sistema e a instituição. Colabora, enquanto jovem, n’O Brado Académico, n’O Raio, da Covilhã, e na Mocidade Livre, de Castelo Branco.
Na década de 30 colaborou no semanário lisboeta O Diabo, com o pseudónimo Eduardo Moreno e leccionou em Espinho no Colégio Pedro Nunes. Em 1932 publica O Homem que Abjurou a Sociedade – Crónicas de Amor e do Tempo.
Em 1937 funda, juntamente com outros intelectuais, a Editora Portugália, em Coimbra, que se inaugura com a publicação da 1.ª edição de Sedução. Publica em 1939 a 1.ª edição de Depoimento. Em 1940 licencia-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa. Publica a 1.ª edição de O Sonho e a Aventura em 1943. A partir de 47 fixa residência em Espinho, onde permanece até à data da sua morte. Publica em 1948 a 1.ª edição de Adolescente; em 1958 publica Adolescente Agrilhoado, 1.ª edição acrescentada. No fim da década de 40 e década de 50 dedica-se à actividade agro-comercial, que constituía já um trabalho com raízes familiares.
Na década de 60 colabora no Diário de Notícias e na revista Seara Nova. Em 1968 publica O Ser e o Ter seguido de Anquilose e em 1983 Desnudez Uivante. Em 1987 é agraciado com a medalha de ouro da cidade de Espinho e em 1988 é condecorado pelo presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito. Parte a 11 de Novembro de 1991. Foi o fim de uma vida que passou por uma adolescência dedicada ao “seminário”; uma juventude consagrada à “licenciatura, ao grego e aos clássicos”; um adulto dedicado ao “amor, amor, amor…” – como ele próprio anotou.
Embora não sendo natural desta freguesia, porém dada obra feita e reconhecida, na generalidade pela maioria da população, o Padre José Santiago, desde o princípio da década de 50, altura em que assumiu as suas funções de pároco, demonstrou logo, que não era um padre só para celebrar missa e rezar mas também que estava disposto a cuidar não só da alma das pessoas como da sua qualidade de vida. Por isso, depois de um breve reconhecimento das características deste bom povo de Paul, encetou diligências para no âmbito de seu “mister” religioso tudo fazer para que essa qualidade de vida fosse efectivamente uma autêntica realidade. Começou por mobilizar um grupo de jovens de ambos os sexos e fundou a Juventude Operária Católica, inspirado nos métodos e teorias do grande Padre Cardijne.
Este organismo, em termos formativos atingiu alguns níveis superiores nos jovens tendo em linha de conta o obscurantismo em que na altura se vivia. O Padre José Santiago não só catequizou como foi catequizado pela religiosidade do povo de Paul realçando a devoção que tinha e tem pela Nossa Senhora das Dores. Inspirado neste princípio, o Padre José Santiago com tendência também para a piedosidade verificou in loco que o espaço envolvente da Capela onde se encontrava a imagem de Nª. Srª. das Dores era de alguma pobreza artística. Por isso, desde logo encetou diligências para construir o Santuário agora ali existente.
Atendendo à devoção do povo, foi fácil mobilizar o mesmo para uma onda de generosidade inigualável em qualquer ponto do nosso país. Atendendo às sete dores de Nossa Senhora, o projecto do Santuário teria que constar de sete capelinhas referentes às mesmas.
Posteriormente em substituição da Capela rústica (pedra e barro) o Padre Santiago diligenciou também pela construção monumental da capela ali existente. No tocante à obra social, logo no início do ministério do Padre Santiago, entendeu pela pobreza, que observou, que muitas crianças que iam para a escola, iam sub – alimentadas, muitas delas andrajosamente vestidas e descalças, fez com que as mesmas, as mais necessitadas, que eram maioria, passassem no caminho para a escola pela sua casa e aí tomassem um pequeno almoço constituído por leite e cacau.
Seguidamente, dada esta necessidade, fundou um infantário para colmatar estas referidas necessidades, dando assim continuidade à mesma obra que tinha sido iniciada no tempo do Sr. Padre Ferreira e que havia parado por falta de verbas, que inicialmente ficou conhecida por Abrigo para Crianças.
Ainda no âmbito desta obra social, posteriormente alargou as instalações e construiu um pequeno hospital que servia de complemento com o hospital da Covilhã, servindo especialmente os habitantes das terras a sul do concelho, que infelizmente veio a ser encerrado funcionando hoje apenas como Posto Médico.
Já por fim do seu ministério, construiu um grande edifício situado no espaço envolvente do Santuário, onde jovens casais e não só podem usufruir do mesmo como um espaço aprazível.

José Freire Antunes
Nasceu no Paul em 25 de Janeiro de 1954.
Fez o curso do liceu na Covilhã de onde saiu aos 17 anos para se fixar em Lisboa. Aí, a experiência já adquirida com colaborações em jornais regionais (Notícias da Covilhã, Jornal do Centro e Jornal do Fundão, onde ganhou um prémio de reportagem), bem como em suplementos juvenis do “Diário de Lisboa” e da “República”, favoreceu o seu ingresso aos 18 anos no jornalismo profissional (Jornal do Comércio, Diário de Lisboa, etc), que o desviou do curso de História que ainda frequentou na Faculdade de Letras.
Em 1982, parte para os Estados Unidos, como bolseiro da Gulbenkian, e tornou-se Research Associate da Universidade de Colúmbia, trabalhando num projecto de investigação sobre “Os americanos em Portugal”
De novo em Lisboa, é agora colaborador permanente do Semanário. Investigador de História Contemporânea, tem publicado importantes livros.
