Paul, cuja origem provem de uns “pauis” ou “cantanospauis”, pântanos próximos dum povo, hoje denominamos por prados, onde havia água em abundância durante todo o ano.
Esta Vila no interior de Portugal, situada na Cova da Beira, Distrito de Castelo Branco e cerca de 20 km a sul da Covilhã, sede do Concelho, é uma das mais históricas e tradicionais freguesias do concelho da Covilhã.
Situa-se na margem esquerda da ribeira da Caia, afluente do rio Zêzere que muito contribui para a fertilidade dos seus campos agrícolas que são férteis em milho, batata e azeite. Os pinhais abundantes são uma das principais riquezas desta terra montanhosa com matos e urze para significativa produção de mel da melhor qualidade e paladar. È constituída pelos lugares de Paul e de Taliscas.
O Paul foi considerado um dos mais importantes centros agrícolas e pecuários da Beira Baixa com trigais e terras centeeiras, viçosas hortas de pluricultivo e vinhedos, lameiros sem conta rodeando os cursos de água e rebanhos de gado caprino e lanígero por tudo quanto eram montes e vales das cercanias.
Na freguesia trabalharam mais de uma centena de teares manuais que abasteceram as fábricas da Covilhã e da vila do Tortosendo e teceram as mantas regionais de ourelos e estamenhas, tendo em tempos mais recuados fiado linhos e lãs, urdido e tecido ate à ultimação do burel de que se vestiam.
O Paul foi, na verdade, eleita a segunda aldeia mais portuguesa, num concurso intitulado “A Aldeia Mais Portuguesa – Dividir para Reinar”, ficando então classificada em segundo lugar, ficando o primeiro para Monsanto.
Viver numa aldeia que teve este título não significou viver numa aldeia subdesenvolvida, parada no tempo, mantendo características de há 60 anos. Não, não é verdade. O Paul teve um desenvolvimento bastante rápido, de tal modo que os Paulenses estavam mais preocupados e interessados com o seu desenvolvimento do que com a sua preservação.
Sofreu também o efeito da emigração (cerca de 45% da população), salientando-se os que seguiram os caminhos da Europa. No que respeita à migração interna, Lisboa levou cerca de 12% dos ausentados da terra. De vez em quando um ou outro emigrante da primeira geração regressa a casa: os filhos consideram-se, em geral, naturais da terra que os acolhe.
Dos 460 mts de altitude, deste vale largo e com um fundo mais ou menos plano, contempla do lado Sul a Torre no cume da imensidão da Serra da Estrela.
Este privilegio é partilhado pelos cerca de 2.000 habitantes, gente simples e acolhedora, que deixa saudades a vasta comunidade emigrada por esse mundo fora e que assiduamente regressa para “matar” saudades, assim como a quem tem o privilegio de a visitar.
Todo este aglomerado populacional concentra-se no centro da Vila, de ruas estreitas e sinuosas, sendo circunscrita por pequenas habitações em zonas agrícolas.
Instalada na margem esquerda da Ribeira do Caia, esta, nascida em plena Serra da Estrela, de águas correntes e límpidas inundadas de trutas arco-íris, é complementada pelos afluentes, ribeiras de Unhais da Serra, Goia e Erada, juntam-se ao rio Zêzere no Ourondo. Esta rede hidrográfica contribui para que toda a vegetação onde predomina o Salgueiro, o Ulmeiro, o Amieiro e o Junco, entre outras, e que implantadas nas “vargens” deste Vale, sejam muito apreciadas nos percursos pedestres, por quem tem o privilégio deles usufruir.
Historicamente data de 1615 a primeira citação a este povo e as características apresentadas na mesma, permitem concluir a presença humana na região há muitos séculos.
A presença dos Fenícios (5.000 – 4.000 AC), é visível através da introdução de espécies florestais como a oliveira e videira.
Os Gregos deixaram os muros de sustentação de terras, os socalcos, aqui denominados “batreus”, a música e os cantares.
Os Romanos introduziram os moinhos e lagares movidos a agua, únicos na região e cuja referência mais antiga remonta a 1327.
Finalmente os Árabes legaram os açudes locais, e são uma referência privilegiada nas lendas narradas na região.
De um pequeno povoado se transformou em próspera Aldeia, com uma economia crescente que fizeram jus a sua elevação a Vila.
Todo este legado ancestral bem visível e marcante no quotidiano da Vila, coabita de uma forma singular e preciosa com o presente, mas sempre ávida por assimilar o futuro preservando o passado.
Tenha-se em atenção o texto seguinte:
"O aglomerado populacional do Paul apesar de ser recente, tem a sua primeira referência conhecida em 1615 e apresenta características que permitem concluir da presença humana na região de há muitos séculos. É assim, no que se refere à presença de fenícios, gregos, romanos e árabes.
Em relação à presença dos primeiros (5000 - 4000 a.C.) esta pode observar-se através das espécies vegetais por eles introduzidas, como é o caso da oliveira e da videira, espécies estas que dominam ainda hoje a paisagem do Paul.
No que se refere aos gregos, estes foram os introdutores dos muros de sustentação de terras, os socalcos, que no Paul têm o nome de “batréus”.
Os romanos marcaram a sua presença por aquilo que ainda hoje é único na região, ou seja, os moinhos da água, de que a referência mais antiga data de 1327. Lembramos que eles eram peritos na construção de barragens e canais de saneamento no solo.
Por fim, e no que se refere ao legado árabe, temos o testemunho dos açudes locais e o testemunho de lendas narradas na zona.
Encontra-se outra referência ao Paul num documento de 15 de Setembro de 1615, em que “o Luguar do Paul tem huma freigueizia da Invocam de nosa Senhora danunciaçam que tera çincoenta freiguezes pouco, mais ou menos E nele serve hum juiz hum procurador e hum escrivam no qual não tem o conçelho mais que huma coutada que se arenda alguns annos E estes presente esta arendada En trezentos e tantos reis e asim tem as coimas em que sua magestade tem terça E não tem outra cousa”
No Arquivo da Torre do Tombo, vol. 28, documento 95, folhas 605 do Dicionário Geográfico encontra-se um documento datado de 1753 que diz o seguinte: “Fica este lugar do Paul situado na província da Beira Baixa no Bispado da guarda, termida Vila da Govilham e distante da Serra da Estrela para o sul a pouco mais de uma légoa”.
O nome de Paul proveio de uns paúis, ou pântanos, que se situavam junto ao povo, onde existiam prados.
Este povo era um Priorado Real, “estando livre de qualquer tributo, pensão ou senhorio, reconhecendo somente por senhor e donatário o muito alto e soberano Senhor Rei de Portugal, a quem somente pagava os seus tributos ou direitos (...)”.
O património arqueológico conhecido da Vila do Paul tem como herança a presença de um importante legado de instrumentos ligados à actividade da panificação e moagem tradicional.
Tem a sua igreja Parrochial no meio do povo, “a qual está sujeita huma Aldêa por nome Cortes debaixo, que consta de dezoito vizinhos; e atem destas tem duas igrejas mais que são as dos lugares de Unhais da Serra e da Erada; nas quais o parrocho deste apresenta curas annaes”.
Livremente e sem pensão alguma “os povos circunvizinhos usam das agoas da ribeira tanto para a agricultura como para a pesca, porque a ninguem hé prohibido pescar nas suas agoas, salvo nos mezes vedados pelas leis deste Reino.Quaisi todos os anos são vistos homens defora chamados Ourives ou Oureiros andar lavando as arêas desta Ribeira, em que dizem tirão ouro”.
Extraído do jornal “O Paúlense”