RELEVO


Dos relevos que envolvem a depressão da Cova da Beira, de granito ou de xisto, distinguem-se três formas:

- A superfície plana, regular, a 400-500 metros de altitude, incluindo suavemente no sentido do comprimento, de depressão de cerca de 100 metros (declive de 3% e 4%). Bem desenvolvida, ela reconstitui-se facilmente, estando particularmente bem conservada a SW.

- Os vales largos do Rio Zêzere seus afluentes, nomeadamente a Ribeira do Paul, ligeiramente embutidos na superfície plana, abrem-se abaixo desta, embutidos de 50 a 70 metros, desenvolvendo-se bem no granito. Neles a rocha aflora bastante alterada e os aluviões são sempre pouco importantes. Sendo a depressão da Ribeira de Caia (Paul) envolvida por um relevo essencialmente granítico e xistoso, estas rochas contribuem com bastante material grosseiro, que a ribeira permite evacuar, nomeadamente calhaus rolantes de granito e lascas de xisto.

Estes calhaus provenientes da Ribeira de Caia contribuíram para a construção de casas, dado que as paredes eram na totalidade de uma mistura de granito e xisto.

Em Portugal, talvez como em poucos sítios, até mesmo a arquitectura erudita, presa nas suas regras filosóficas e métricas de concepção, mostra uma sabedoria particular na sua integração ambiental, patente no período áureo dos solares ou mesmo nos planos da Baixa Pombalina. Muitas das nossas cidades e agregados urbanos, situando-se junto a grandes massas de água e ocupando inteligentemente as encostas solarengas, resolvem “ab-initio” grande parte dos problemas referentes às variações sazonais do clima. Mas é sobretudo nas tipologias da arquitectura tradicional portuguesa que se sente o génio de adaptação e engenhosidade que nos caracterizam.

- Por estratégias normalmente defensivas e massivas, “inventam-se isolamentos como o colmo, estanca-se a penetração das chuvas e húmidas como a ardósia ou azulejo, afugenta-se o calor no branco radiante da cal… mas também se ganha o sol das varandas.



 

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